
Survivor
novembro 3, 2009Dizem que lá é o paraíso. Realmente parece. É clichê de qualquer romance: praias desertas, areia branca, conchinhas aguardando o próximo colecionador, água cristalina, lagoas verdes, recifes com as mais diversas espécies de peixes e moluscos, barulho, só o do mar e dos bichinhos. Mas, se tiver vaga para mim no paraíso, permita-me Deus desenvolver-me mais espirutualmente para merecer também um belo quarto com uma confortável cama, ar condicionado, chuveiro com água quente, nenhum inseto e se puder alguns anjinhos tocando violino.






A primeira hora em Danjudan Island foi estressante para uma paulistana urbanóide, a começar de ter que mergulhar minhas calças na água para poder desembarcar. Estava me preparando há dias para a aventura que a ABV (Australian Business Volunteers), que coordena nossos trabalhos aqui nas Filipinas, reservou para o último final de semana do grupo. Mesmo assim, ao me deparar com a realidade, por mais exuberante que fosse a paisagem que encontrei, comecei a buscar argumentos para “agradecer aquela oportunidade maravilhosa e única de estar em um lugar como aquele” para me convencer que era mesmo muito legal estar lá.
O choque inicial passou logo: bastou o primeiro mergulho de snorkel. Invadi a privacidade dos lindos seres marinhos, e, mesmo sem meus óculos de grau, podia ver através da água, que amplia as imagens, lindas estrelas-do-mar azuis, moluscos cor de púrpura, peixinhos neon e milhares de outros peixinhos e peixões navegando sobre os corais numa explosão de cores radiantes. Encantador! Protegida pelo meu Sundown 50, não enfrentei problemas – a Jaana (finlandesa) esnobou a brasileira aqui com um bronzeado de dar inveja. Mas eu não tenho pele pra isso…
Atravessamos a mata, margeando lindas lagoas de água salgada e passamos por uma pouco-romântica caverna de morcegos (que barulheira!) para chegar à outra praia da ilha, caminhamos mais um pouco e nos instalamos perto da cabana do alemão que mora lá (obteve a autorização da marinha para gerenciar a ilha), onde curtimos o pôr-do-sol e comemos uns petiscos (claro, o lanchinho não poderia faltar!). Voltamos de barco na quase noite para encontrar um farto jantar, depois da “ducha coletiva”.






A primeira noite na cabana “das meninas” foi longa. Não há muito o que fazer em uma ilha deserta… fomos cedo dividir o sono com as formigas instaladas na cama e provocamos os pernilongos com um véu nos circundando. Lá lá lá lá lá lá, vocês não me pegam! O barulho dos animais caminhando pela mata ou do lagarto (que jurávamos ser um grande passáro) nos deixavam inseguras. A cabana dos meninos estava agitada, ninguém pegou no sono por lá, à exceção do Jaydip (ele jura que não dormiu), seu ronco ecoava pela ilha.
Domingo pela manhã acordamos preguiçosamente, tomamos o café e fomos caminhando pelas águas para a praia, lá mergulhamos mais um tempão em busca das maravilhas do mar e descansamos à sombra – à exceção de umas “lagostas” que ficaram fritando ao sol: o Guillermo, a Jaana e a Sara, uma jovem simpática filipina que estava com sua família junto com nosso grupo na ilha. À tarde fomos num iate conhecer outras ilhas e fazer snorkeling. Aquele paraíso já havia me conquistado. Desembarcamos na ilha do irmão da Maggie, nosso ponto de contato em Bacolod e curtimos o cair da tarde com alguns “snacks” locais (doce de arroz frito no açúcar). Light!




Entramos novamente no barco e curtimos mais um cair da tarde no mar, com a lua nos observando no lado oposto. Nada mais relaxante! Voltamos e logo encontramos o jantar. Enrolamos, enrolamos e depois de muito “dolce far niente” fomos nos encontrar com as formiguinhas novamente na cama. Ainda pensava em acordar às 5h para observar pássaros (coisa de alemão), mas quando senti a fúria dos mosquitos tentando me atacar pelo lado externo do véu, decidi que não valia a pena. Não tinha nem levado blusa com manga comprida e calça, como seria recomendado. Mais tarde a Alina, nossa paparazzi russa, e a Qiong voltaram meio desoladas e disseram que não viram muita coisa, mas que tinha sido “fun”. Fiz a escolha certa!
Ainda de manhã, tomamos o barco para encontrar nosso micro-ônibus para Bacolod, a aproximadamente 180km da ilha e 4h de viagem, dados os inúmeros triciclos e buracos da rude estrada. Cheguei “verde” com a cabeça estourando e o estômago virado. Mas feliz, eu sobrevivi!
Lindo e bem “civilizado”, achei que as acomadações seriam mais “naturais”…
beijos